“Grande é o Senhor e digno de ser louvado; sua grandeza não tem limites. […] O Senhor ampara todos os que caem e levanta todos os que estão prostrados.” (Salmos 145:3, 14)
Muitas vezes, a oração começa pelo caminho inverso. Quando as coisas apertam, o natural é fugir da dor para tentar alcançar a Deus, já o Salmo 145 propõe a rota exatamente contrária. Ele não começa na nossa dificuldade, mas na grandeza de Deus, para só então alinhar o nosso olhar e percepção da realidade.
No hebraico, esse salmo foi escrito como um acróstico alfabético: cada verso começa com uma letra sucessiva. A poesia traz a ideia de que o louvor ao Senhor deve abranger tudo, de A a Z. Só que esse louvor não nasce do entusiasmo superficial ou de um sentimento vago, mas do exercício consciente de meditar naquilo que Deus faz, de quem ele é.
Existe, porém, um perigo sutil quando pensamos na majestade de Deus: a tentação de enxergá-lo como um monarca distante. Olhamos para a imensidão do Universo, para a quantidade de problemas, a correria da vida e nos sentimos insignificantes, perguntando se o Criador se importa com o nosso dia a dia. Mas a Escritura quebra essa lógica ao mostrar que a Onipotência divina não é uma força bruta indiferente; é Deus que se importa e transborda bondade.
O contraste entre a imensidão e o cuidado mostra como o Senhor nos alcança sempre. A mesma mão majestosa que governa a história e sustenta as galáxias é aquela que ergue os que tropeçam. O Deus cuja grandeza é insondável se inclina para levantar o cansado e sustentar todos os que perdem as forças.
Em vez de ficarmos paralisados pela ansiedade com o futuro ou pela limitação das nossas forças, podemos descansar no caráter dEle. Que o nosso coração encontre descanso na beleza da bondade de Deus. Que possamos meditar nas Suas obras no meio da rotina e cultivar a certeza de que a mão que rege a história é a mesma que nos ampara em cada passo do caminho.










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