“Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos”, declara o Senhor. (Isaías 55:8)
Esse é um dos versos mais bonitos de toda a Bíblia, que só de ler ou ouvir já traz paz para a alma e tranquilidade para o coração. No entanto, parte importante do que ele ensina acaba desperdiçada pelo uso comum de irmãos bem-intencionados. Muitas vezes, é citado em tom pessimista diante dos desafios e dificuldades da vida, algo como: “só nos resta aceitar” ou “é assim mesmo”.
Quando as coisas dão errado e saem do controle, sempre aparece alguém para dizer: “os pensamentos de Deus são mais altos”. Sim, Deus é misterioso, mas esse verso não fala de algo escondido, de uma vontade guardada a sete chaves. Ele revela uma descoberta: o tema é quão bom Deus é.
Os primeiros versos do capítulo afirmam que qualquer pessoa pode encontrar o Senhor, até quem já fez muitas escolhas ruins. O Deus misericordioso perdoa de bom grado justamente porque os caminhos dEle não são os nossos: “Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele perdoará de bom grado” (v.7).
É nesse sentido, da bondade incomparável, que a distância entre os nossos pensamentos e os de Deus não poderia ser maior. A diferença entre o nosso jeito e o dEle é tão grande “quanto a altura dos céus para a terra” (v.9). Repare: quem escreveu isso não conhecia a Via Láctea nem o centro da Terra. A comparação foi feita com as maiores distâncias conhecidas naquela época.
A verdade desses versos é que Deus faz as coisas acontecerem do jeito dEle, que é bom, em um cronograma marcado por misericórdia e para o nosso bem. Mais incrível ainda: mesmo quando não temos nada a oferecer (v.1), quando desperdiçamos recursos (v.2), quando estamos longe dEle (v.3) e precisamos nos arrepender (v.7), Deus está disposto a firmar conosco uma aliança eterna.
Sabe por que tantas vezes temos medo do futuro? Ou nos sentimos ansiosos pelo que está por vir? Porque esquecemos que os caminhos de Deus são mais altos. Esquecemos que Ele é bom e que tudo coopera para o nosso bem. O texto nos convida a descansar. Afinal, quem ou o quê pode impedir que a bondade de Deus nos alcance? Ninguém.
Também é por isso que muitas vezes deixamos de falar a Deus sobre alguns dos nossos desejos ou temos medo de nos frustrar com Ele. Mas quando nos calamos na oração e deixamos de meditar na Palavra, acabamos nos tornando surdos à voz do Pai e cegos para ver a sua boa, perfeita e agradável vontade.
Se por um lado é verdade que não somos capazes de entender tudo o que Deus está fazendo, por outro não há sombra de dúvidas: Ele é bom o tempo todo.
Lembre-se: o plano de Deus não é nos privar de coisas boas. Ele tem prazer em dar bons presentes a seus filhos. O próprio Jesus perguntou: “Qual pai daria uma pedra ao filho que pede pão?” Fé, então, é acreditar que até o que hoje parece ruim, em retrospectiva, se mostrará bom porque veio do único, verdadeiro e bondoso Deus.
Daniel Manzano
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