Vivemos em uma sociedade que constantemente nos estimula a buscar conforto, comodidade, reconhecimento profissional e outros sonhos legítimos. Essas coisas, em si, não são más. O problema começa quando se transformam em sinônimo de ter pessoas à nossa disposição, de não precisar prestar contas a ninguém e de ocupar, de fato, a posição de um “senhor”.
Infelizmente, temos permitido que o princípio de “ser servo”, ensinado e exemplificado pelo próprio Cristo (Jo 13.1-17), seja sufocado, enquanto cresce em nós o desejo de estarmos cercados por pessoas prontas para satisfazer nossas vontades. Passamos a pensar que nossos pais devem nos servir, afinal, somos filhos; que os professores têm essa obrigação, pois recebem para isso; que a igreja precisa nos servir, oferecendo bom louvor, boa pregação, boa estrutura e ambiente agradável, afinal, “entregamos o dízimo”; e, em casos extremos, alguns chegam a falar com Deus como se fossem senhores sobre Ele, ditando ordens e exigindo que sejam cumpridas no seu tempo e modo.
O grande desafio para nós é cultivar e preservar um coração de servo em um mundo que valoriza a postura de “senhor”. Precisamos ter olhos atentos, mãos dispostas, coração sensível e atitudes prontas para servir uns aos outros em amor (1 Pe 4.10).
Devemos estar atentos às oportunidades que Deus nos oferece para servir: quem, ao meu redor, posso ajudar? De que maneira posso contribuir mais em casa? Existe alguma área da igreja na qual eu possa me envolver? Ao agirmos assim, cresceremos como indivíduos, como filhos de Deus e como Corpo de Cristo.
Que, a cada dia, nossas atitudes se assemelhem mais às de Jesus, que Se esvaziou de Si mesmo e assumiu a forma de servo (Fp 2.5-11). Servir não é perder, mas ganhar o privilégio de viver como o nosso Senhor viveu, e assim, glorificá-Lo em tudo.
Fabio Grigorio
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