Ao longo da nossa vida, podemos dizer que há jornadas que percorremos e que nos conduzem a lugares que nem sempre foram os que planejamos. Alguns desses lugares podem ser muito bons; outros, nem tanto. Essas jornadas, por vezes, são solitárias, mas, em boa parte delas, temos alguém com quem compartilhamos a caminhada.
Lembro-me da minha adolescência e juventude. Deus colocou ao meu lado pessoas com quem pude caminhar. Nossa caminhada foi marcada pela busca do Senhor, pelo zelo uns pelos outros, pelo tempo investido juntos, servindo com nossos dons, e por boas conversas que, de fato, nos edificaram.
Ao olhar também para o tempo de seminário, identifico claramente pessoas que Deus colocou em minha caminhada, ajudando-me a ser lapidado e dando continuidade ao processo de transformação da minha vida. Mais uma vez, Deus me deu a oportunidade de desenvolver relacionamentos que me conduziram a um conhecimento maior do Senhor e a uma vida com Deus marcada pelo desejo de estudar mais, aprender mais e ser confrontado em relação aos meus próprios pecados.
Hoje, depois de alguns anos de ministério, mais uma vez posso dizer que Deus tem permitido o desenvolvimento de relacionamentos preciosos, que me estimulam a continuar nessa caminhada com Cristo, aprendendo, servindo e sendo transformado. São instrumentos de Deus para me sustentar, estimular e motivar. São meios que Deus tem usado para me conduzir a lugares aos quais, sozinho, seria praticamente impossível chegar. Por meio desses relacionamentos, tenho experimentado a realidade de fazer parte de um corpo que cresce e se edifica em amor (Ef 4.15-16), o princípio de que “assim como o ferro afia o ferro” (Pv 27.17) e a prática de “levar os fardos uns dos outros” (Gl 6.2).
As Escrituras estão repletas de exemplos de pessoas que compartilharam sua caminhada com outras que contribuíram para escolhas ruins. Temos Absalão, que não apenas ouviu, mas acolheu conselhos que alimentaram seu desejo de rebelião e contribuíram para sua derrota (2Sm 16.20-23; 17.1-14). Temos também o próprio Salomão, cujas mulheres influenciaram seu coração e o levaram a se desviar do Senhor, a ponto de comprometer sua fidelidade a Deus (1Rs 11.1-4).
Em contrapartida, temos Daniel, que encontrou em seus amigos apoio e estímulo para compartilhar o compromisso de honrar a Deus, fortalecer sua fé e permanecer fiel, mesmo quando estava cercado por influências contrárias (Dn 1.6-17; 2.17-18). Temos também Timóteo, a quem Paulo ensina que a caminhada cristã exige não apenas fugir dos desejos que nos afastam de Deus, mas também seguir “a justiça, a fé, o amor e a paz, juntamente com os que, de coração puro, invocam o Senhor” (2Tm 2.22).
Em nossa jornada, há pessoas que nos encorajam e fortalecem nossa caminhada. Há também aquelas que desprezam o que é do Senhor, nos desestimulam, questionam aquilo que Deus está fazendo e nos levam para longe dos propósitos do Senhor.
Precisamos discernir quais vozes estamos permitindo que influenciem nossas decisões e atitudes. Não fomos chamados para caminhar sozinhos, mas precisamos escolher com sabedoria aqueles com quem caminhamos, pois nossas companhias influenciam profundamente quem nos tornamos.
Mais do que perguntar quem está caminhando ao nosso lado, precisamos perguntar: para onde essas pessoas estão nos ajudando a caminhar?










0 comentários