Ao longo da vida cristã nos deparamos com a realidade do mundo ao nosso redor e com o possível dilema: devemos proclamar o evangelho ou mostrar o evangelho por meio de nossas vidas e de nossas ações? Por um lado, vemos que o evangelho é uma mensagem, logo precisamos proclamar essa boa notícia de salvação. Por outro lado, pregar sem viver se torna hipocrisia.
No livro de Atos percebemos que essa diferenciação entre falar e fazer não era um problema. O envolvimento com o mundo ao redor era recheado de ações e palavras, resumidas ao longo do livro pela expressão “testemunho”.
Veja, por exemplo, em Atos 4.32-35, onde uma multidão passa a crer no Senhor, demonstrando um crescimento quantitativo, mas também um crescimento qualitativo expresso no fato de que eles compartilhavam o que tinham com os mais necessitados. No versículo 33 os apóstolos continuavam pregando sobre a ressurreição, e nos versículos 34 e 35 a igreja demonstrava profundo amor uns pelos outros, entregando seus recursos.
Isso refletia não apenas no amor entre os cristãos, mas também com os de fora da igreja, apresentando um profundo contraste entre quem era e quem não era cristão. Aquele amor que os salvou era demonstrado entre eles e para fora deles. Em Atos 5.13 o povo tinha os cristãos “em alta estima”, ou seja, a mensagem e a ação cristã impactavam os de fora. Alguns se convertiam, mas todos viam uma genuína mudança de uma fé prática.
Nós devemos aprender com eles a proclamar a ressurreição enquanto agimos entre nós e com o mundo de maneira exemplar, como representantes de Cristo. No século III, por exemplo, Tertuliano comenta que “nenhum bebê é exposto ao abandono e não há crianças sem pai”. Que grande demonstração de uma comunidade que continuou entendendo que proclamação e ação são conjuntas, e demonstrou isso com o cuidado dos vulneráveis. A igreja dos séculos anteriores priorizava pregação e ação refletidas em vários aspectos da sociedade, inclusive no cuidado com crianças sem famílias.
Se seguíssemos apenas o exemplo do cuidado com crianças em situação de abrigo, com o envolvimento da igreja, teríamos a marca de que a cada 20 igrejas, uma criança seria cuidada, atendida e evangelizada. No nosso país temos muito mais igrejas que crianças abrigadas e, mesmo assim, elas continuam lá, precisando de cuidado, amor, família, salvação e visibilidade, marcas que encontramos em Cristo e na nossa nova família da fé.
Entre agir e pregar, faça os dois. Que eu, você e nossa comunidade possamos crescer em quantidade e qualidade para impactar o mundo ao nosso redor, com pregação e ação para a glória de Deus. Se você leu este texto e tem interesse em saber mais, aqui na Fonte temos duas iniciativas para nos envolver com esse público: o ministério A.M.E., com visitas, conselhos, reforço escolar e pregação do evangelho em quatro instituições de acolhimento de Campinas, e o Amor que Acolhe, uma iniciativa de apoio à adoção, ao apadrinhamento e à família acolhedora. Pregar e fazer, essa é nossa missão.










0 comentários